Thursday, Nov. 23, 2017

Entrevista: Rosane de Andrade, de “mulherzinha” não tem nada. Um grande mulherão!

Escrito por:

|

6 de janeiro de 2015

|

Publicado em:

Entrevista: Rosane de Andrade, de “mulherzinha” não tem nada. Um grande mulherão!

Ela é gaúcha, nascida em Uruguaiana. Completa 50 anos no próximo mês de agosto de 2015. Mulher multiuso. Escreve. Leciona. Advoga. E ainda é garçonete nas horas vagas. Autora do “Coisas de Mulherzinha”, apresentado na Rádio Monte Carlo, de Criciúma, Rosane de Andrade nos mostra que de “mulherzinha” não tem nada. Isso sim é o que podemos chamar de um “mulherão”. Ela nos conta em uma entrevista divertida e cheia de curiosidade sobre como vê o universo feminino, as discrepâncias das leis, a deslealdade masculina e o seu hobby, o pole dance. Confira a seguir:

 

Blog - Quem é a Rosane?

Rosane - Sou professora e advogada formada pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Lá, fiz pós em Filosofia na Universidade Santa Úrsula-RJ e Docência do Ensino Superior na Estácio de Sá, também no RJ. Morei lá por vinte anos e sempre investi em estudo, educação. Meus pais me ensinaram a valorizar estudo, realização profissional. Tive de trancar a faculdade de Psicologia na Esucri, mas quero em breve retornar.

 

Blog – Carreira?

Rosane - Advogo na área da família (amo o que faço e curto um barraco rsrsrsrsrsrs), sou professora de Língua Portuguesa, Literatura e Redação para o Ensino Médio no Colégio SER – antigo Hermann Spethmann – centro de Criciúma. Lidar com adolescentes é complicado, mas muito gratificante. Escrevo para 04 jornais e uma revista… tenho os meus programetes na Rádio Monte Carlo FM de Criciúma. Faço ‘bico’ de garçonete em festas infantis. Todo trabalho é digno e num final de semana em vez de assistir ao Faustão, ganho algum e conheço muitas pessoas.

 

Blog – Como surgiu a ideia do Coisas de Mulherzinha?

Rosane - Sempre gostei de escrever e quando lecionei na faculdade de Direito Unisul em Araranguá, um aluno tinha (e ainda tem) um jornal, o Sem Censura. Manifestei desejo de escrever para o jornal e ele perguntou se era sobre Direito. Disse a ele que não, que era outra coisa.  Só que o nome pra coluna eu ainda não tinha. E em uma aula de Direito Comercial, dividi com a turma a minha dúvida quanto ao nome que eu poderia dar a ela. Vieram uma série de sugestões, e um aluno (Murilo) sugeriu “Coisas de Mulherzinha”. Bem propício, porque tudo que se relaciona ao universo feminino é tratado de modo pejorativo. E o diminutivo é proposital: uma provocação. E também não falo apenas de coisas do nosso universo. Falo em problemas do cotidiano que envolvem a todos nós. Falo em política, problemas com televisão a cabo, não ganhar a ‘mega da virada’…

 

Blog – Muitas experiências desastrosas no amor?

Rosane - Fui traída por dois noivos e um ex-marido. Mas isso não me afetou, pelo contrário. Creio que temos que passar por certas coisas pra aprendermos. E uma separação envolve 50% de cada um dos pares. Eu tive minha cota: 50% de burrice, por não ter escolhido certo rsrsrsrssrs… Mas não guardo mágoas de nenhum. TODOS me procuraram depois pra tentarem uma reconciliação. E claro que eu não quis. Tudo tem a sua hora. Tudo tem seu tempo. E ‘vale a pena ver de novo’ é um programa de um canal de TV… Relaciono-me há cinco anos com um rapaz. Ele mora em Porto Alegre e temos um relacionamento (namoro) baseado no respeito, individualidade e fidelidade. Acredito que seja o relacionamento ideal, pois cada um tem sua carreira definida, casa… Um dos dois abdicar de suas coisas para ficar perto do outro, é anulação demais (e burrice). Cada ser é único e nos deixamos ficar de companhia quando estamos dispostos. Há amor, porém, acima de tudo, respeito. E a estrada até Porto Alegre está uma beleza.

 

Blog – O que falta para os homens hoje em dia para agradarem as mulheres?

Rosane - Serem sinceros. Muito rodeio e jogo não levam a nada, apenas à desilusão. Não se pegam moscas com vinagre, ditado antigo e verdadeiro, claro. Contudo, vende-se uma imagem que não é a verdadeira, e um dia a pessoa tira a máscara. As mulheres também pecam por isso. Óbvio que não devemos cometer ‘sincericídios’, mas ser verdadeiro desde o início poupa tempo.

 

Blog – Sexo sem compromisso: liberdade ou libertinagem?

Rosane - Já fiz muito e julgava estar exercendo minha liberdade. Libertinagem creio que seria se eu estivesse com um hoje e com outro daqui a duas horas. Há quem lide bem com isso. E te confesso que as vezes em que pratiquei, sem ter apego nenhum à pessoa, só me deixaram uma estranha e péssima sensação de vazio. Há pessoas que conseguem administrar bem esse tipo de comportamento, mas eu não consigo.

 

Blog – A mulher sofre muita pressão social. Mulher, mãe, profissional e sexy. Como lidar?

Rosane - Nós mulheres somos múltiplas. Conseguimos exercer vários papéis durante o dia, durante a vida, perfeitamente. Conseguimos fazer várias coisas ao mesmo tempo. Lembro do título de um livro que ilustra isso muito bem: “Homem cobra, mulher polvo”. Nosso cérebro é apto a isso. A pressão social é feita inclusive pelas próprias mulheres. Mas o ponto crucial do negócio é o seguinte: saber quem se é. Quando uma mulher sabe quem é e do que é capaz, lida com tudo e ainda pede bis.

 

Blog - Qual sua maior ambição?

Rosane - Ser reconhecida e respeitada como profissional.

 

Blog - Sonho?

Rosane - Que os aposentados tenham o que lhes foi ROUBADO pelo INSS de volta. Contribuir anos e uma lei surgir (Fator Previdenciário), retroagindo e punindo-os é ridículo e cruel demais. Engraçado que no Brasil a Lei Penal retroage para beneficiar réu (criminoso)… no caso, o aposentado nem teve a ‘preocupação’ pelo legislador de ser tratado como tal. Absurdo. O aposentado que contribuiu sua vida toda (e alguns continuam contribuindo, porque são obrigados a continuar trabalhando pra compor a renda), apostando num futuro melhor, uma velhice digna,  vem o governo e muda as regras do jogo. As revisionais são ganhas, entretanto o INSS embarga as decisões dizendo simplesmente que não tem como pagar. Ou seja, pra onde foi todo o dinheiro contribuído? Roubo. Não tenho outra palavra. Roubo. Isto me deixa indignada. Imagina se nós cidadãos começarmos a agir desse modo também? Ligarem pra nossa casa e dizermos: ‘não pago o que devo porque não tenho dinheiro. Não guardei. Procurem seus direitos.’

 

Blog – Medo de quê?

Rosane - De não ter dinheiro para pagar minhas contas.

 

Blog – Sobre o pole dance?

Rosane - Um esporte do qual não abro mão. Já fiz muay thay, musculação, dança, bike… e ia para a academia movida pelo seguinte: estou pagando, tenho de ir. E aí um dia descobri o pole dance. Um desafio. Pratico esporte objetivando saúde. Bumbum empinado, sem celulite, barriga tanquinho??? Não saio pra rua sem roupa e nem ganho a vida com o corpo… Uma pessoa conseguir subir em um poste sustentando-se apenas por um braço, com uma trava de pernas… é algo incrível. Em breve terei meu próprio poste em meu escritório (agora mesmo em janeiro, já encomendei). O preconceito está na cabeça de quem não conhece o esporte. É fácil dizer que quem o pratica é prostituta. Quero ver esta pessoa que critica fazer UMA aula. Só uma. O esforço físico, os roxos, fazem qualquer desavisado fugir. A cantora Ana Carolina foi extremamente infeliz em sua música intitulada pole dance. Ela relata a vida de uma moça que dança em uma boate e se prostitui para ganhar a vida. Não critico quem tem essa profissão, longe de mim, cada um ganha a vida como pode. Mas a associação é equivocada, porque nem ao menos surgiu com as mulheres nos cabarés (como a tal cantora falou em um programa de TV). Surgiu com os homens. Um esporte em que se desafiavam. Uma amostra??? Entrem no youtube e digitem ‘malacambi’ (pole dance indiano) e se surpreendam. Preconceito é sinônimo de burrice e ignorância.

Blog – O que as pessoas nem imaginam de você? Algum segredo curioso?

Rosane - Que sou uma pessoa legal e que não quero tirar o lugar de ninguém. Desde que cheguei aqui em Criciúma, não sou tratada como gostaria. Eu sigo o seguinte: trato a todos como gostaria de ser tratada. E mais, todas as pessoas são iguais, apenas tiveram oportunidades diferentes na vida. Ninguém é melhor ou pior que ninguém. Sei que perdi muita oportunidade por não ser daqui e por me pré-julgarem, porque falo o que penso e  o que sinto. Não sou uma pessoa falsa. Se eu gosto eu gosto mesmo. Sou a mesma pessoa em casa, na escola lecionando, no escritório como advogada…

 

Blog  - Descriminação?

Rosane - Total, como já falei. E por usar tênis All Star então????? Não gosto de salto, não sei andar de salto e nem faço questão de aprender. Acho lindo quem anda, mas gosto de conforto. Já fui parada na porta do fórum daqui umas duas vezes. A mania de julgarem uma pessoa pela aparência. Mas, tudo bem, hoje os guardas (uns queridos que estão fazendo o seu trabalho, e não está escrito na testa o número da minha OAB), cumprimentam-me com simpatia e me tratam pelo nome. Sou doutora durante a audiência. Orgulho-me em ser advogada, mas não ostento por conta da profissão. Essa de ‘você sabe com quem está falando’ é a coisa mais tosca que se pode dizer.

 

Rapidinhas:

- Comida preferida? Sou eclética: desde lasanha até comida japonesa… Depende do dia e da fome.

- Lugar romântico? Porto Alegre.

- Estação do ano? Verão de derreter.

- Livro? Poderia falar o meu, mas… “Memorial do Convento” de José Saramago. Já li toda a obra dele e amo. Mas também tem os do Luís Fernando Veríssimo (outro gênero, porém amor similar)!

- Filme? “O Homem que Copiava” – gravado em Porto Alegre (Casa de Cinema), próximo ao antigo Clube Gondoleiros. As locações existem e já tirei fotos por lá.

- Bebida para namorar? Pode ser até Coca Cola.

- Melhor lingerie? A que seja confortável pra usar e fácil de tirar. Mas nada de nude!

- Frase? Uma que é de minha autoria (modéstia inexiste rsrsrsrsrs): “Difícil não é viver…difícil é ser a gente mesmo!”

Leia também:

Share This Article

Related News

Comportamento: Crise de identidade
Cultura: Publicitário criciumense lança livro de poesias e crônicas
Comportamento:  Questões para repensar ou discordar. A escolha é sua!

About Author

mairarabassa



Comentários encerrados.

Deixe um Comentário