Friday, Jul. 21, 2017

Entrevista: Tati Teixeira conta como é ser mulher na política criciumense

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6 de fevereiro de 2015

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Entrevista: Tati Teixeira conta como é ser mulher na política criciumense

O mundo anda cada vez mais concorrido. Tanto para homens como para mulheres. Mas, para as moças, a disputa ainda é mais acirrada, principalmente, na área política, um universo que conta com o domínio masculino. Mas, aos poucos jovens garotas e mulheres começam a pegar gosto por esse meio. E não foi diferente com Tati Teixeira. Filha de político e vereadora de Criciúma, ela foi a primeira mulher a comandar o legislativo da cidade. Ela abre para nossos internautas como ela é e sua intimidade e como superou as barreiras para ser destaque. Confira: 

Blog – Quem é a Tati Teixeira?
Tati Teixeira - Professora formada e pós-graduada em psicopedagogia e mestranda em educação. Casada, mãe do Vittor e da Clara. Fui presidente do grêmio estudantil do Colegião e membro da União Catarinense de Estudantes Secundaristas – UCES. A mulher mais jovem eleita e a primeira reeleita na história de Criciúma, alcançando quase três mil votos na eleição de 2012. Filiada ao PSD, sou vice-presidente do partido. E tenho orgulho de ter contribuído para importantes conquistas do município além de autora de Leis como a da “Advertência Moral” que garante mais respeito à pessoa com deficiência, a lei que obriga a divulgação do cardápio da merenda escolar e a lei do voluntariado.

Blog –  Quando e onde nasceu?
Tati - Criciumense, nasci em 23 de agosto de 1979 no hospital São José. Morei no bairro Mina do Mato, ali perto do Moradas da Colina, depois que casei vivium tempo no bairro São Luiz e atualmente no Distrito do Rio Maina, no bairro Floresta.

Blog – Casada há quanto tempo e filhos?
Tati - São dezessete anos de casamento com dois filhos, um adolescente de 17 anos o Vittor e a pequena Clara com 5 anos.


Blog – Defina família.

Tati - Para mim família é à base de tudo, o lugar onde encontro a paz e a harmonia. Feita de rostos, pessoas, amor, diálogo e valores de vida, a família pode ser o motor do mundo e vejo que esta estrutura valorizada e apoiada pode ser o alicerce para uma sociedade mais justa e igualitária.

Blog - Como conciliar a vida pública com as atividades de mãe?
Tati –  Procuro estar sempre perto, acompanho cada passo das crianças e participo do dia-a-dia de casa, mas nada seria possível sem o apoio da família.

Blog – Ainda sofre com preconceito por ser mulher na política? Como consegue contornar?
Tati - É um ambiente de maioria masculina, naturalmente suas culturas fazem parte deste dia-a-dia, portanto, é necessário posicionar-se de forma a combater estas práticas. Só faremos isso ocupando os espaços, e mostrando nossa capacidade. Não tem receita para isto, mas já fazem praticamente oito anos que vivo neste meio e tenho sido respeitada, mostrando responsabilidade e comprometimento com minha missão.

Blog – A primeira mulher presidente do Legislativo de Criciúma. Um marco para a história política das mulheres catarinenses. Como chegou nesse ponto?
Tati - É uma conquista que atribuo a todos os criciumenses que me deram esta vitória, pois fui à primeira mulher na história da cidade a ser reeleita e a reeleita mais votada, e este fato repercutiu positivamente em todo estado catarinense. Entendo ainda que é uma conquista para as mulheres, bem como um estímulo para que outras sigam estes caminhos de participação política. Apenas lamento que tenha levado tanto tempo para isto acontecer, pois já estamos em pleno século XXI, é só agora nos foi dada esta oportunidade de compartilhar nosso jeito de pensar com toda a sociedade.

Blog – Ser mulher, esposa, mãe e política… Como consegue fôlego?
Tati –  Uma correria, até porque acompanho de perto o crescimento dos meus filhos e tenho uma pequena e um adolescente. E além do dedicado e necessário empenho nas atividades políticas, que é carregada de reuniões, visitas e compromissos sociais, sigo como educadora, agora no mestrado e também nos meus compromissos como voluntária.

Blog – O que falta para as mulheres serem mais aceitas na política? Mesmo com a presidente da República sendo mulher, esse é um universo ainda dominado por homens?
Tati - A participação da mulher na política depende de um novo movimento, que inclui mudanças culturais. Estamos avançando, mas vai levar algum tempo para que as mulheres possam ocupar mais espaços nos poderes legislativo, executivo e até mesmo no judiciário em funções de comando. Embora tenhamos na presidência da república uma mulher, dos 27 estados apenas uma mulher é governadora e na câmara dos deputados menos de 10% das cadeiras são ocupadas por mulheres. Entendo que juntamente com os homens, as mulheres podem contribuir com um novo olhar sobre a vida e os rumos da sociedade, mas para isto a visão patriarcal deve ser revista e as próprias mulheres buscarem uma maior participação na política, ocupando espaços desde a base, tais como lideranças em entidades, clubes, associações de moradores, empresariais entre outras.

Blog – Quando começou o seu interesse por política? Seu pai, Nei Teixeira, lhe influenciou?
Tati - Minha participação na política, com mandato, começou por acaso e realmente tem a inspiração e influência de meu pai. Desde muito cedo, quando tinha menos de 10 anos de idade, já acompanhava o meu pai nos movimentos populares da época, e naturalmente em casa o assunto política era frequente, aliás, minha família Teixeira sempre foi muito envolvida com política. Com isso, no início dos anos 90 participei dos movimentos estudantis e na época fui para as ruas nas manifestações do “Fora Colllor”. E assim foi minha participação, sempre acompanhando meu pai nas atividades políticas e no mandato dele como vereador, e com esta experiência fui convidada para concorrer em 2006 como deputada federal. Não venci aquela eleição, mas novos caminhos se abriram, tanto que fui eleita vereadora e reeleita a vereadora mais votada.

Blog – Como seu marido assimila sua correria com a vida pública?
Tati - Desde que aceitei ser candidata pela primeira vez, só fiz isto com o aval de toda minha família pai, mãe, irmã e o esposo. E ainda pedi mais, disse que queria o envolvimento de todos, e assim tem sido, desde então meu marido é meu parceiro em casa e nas atividades políticas.

Blog – Conte-nos como foi ser prefeita de Criciúma por alguns dias?
Tati - Foi uma boa oportunidade para enxergar a cidade de outro jeito. Dialoguei com praticamente todos os setores do município, e, enquanto estive a frente do Poder Executivo Municipal busquei conhecer a estrutura: foram mais de 100 horas de trabalho em apenas uma semana de interinidade, colhendo inclusive alguns resultados, pois sancionei sete leis, entre elas a criação de Centros de Educação Infantil que já estão atendendo mais 360 crianças nas creches da cidade, além de fazer diversos contatos para buscar mais recursos para nosso Município. Acho que plantei algumas sementinhas.

Blog – Seria esse um sonho futuro? Se lançaria a uma candidatura a Prefeitura Municipal de Criciúma?
Tati - Minha contribuição social vem desde cedo, como voluntária em entidades sociais ou mesmo na política quando acompanhei meu pai. Ser vereadora nunca fez parte dos meus planos, foi meio por acaso, acho que quando a gente quer contribuir com a cidade sempre dá um jeito. E se um dia Deus me der esta missão de cuidar de Criciúma me sinto preparada para encarar o desafio. E do contrário, vou continuar como sempre, dando minha contribuição social onde quer que eu esteja.

Blog – O que lhe move todas as manhãs?
Tati - O ar, a natureza, simplesmente as pessoas, busco nelas a minha inspiração.

Blog – Quais conselhos daria para uma moça que gostaria de ingressar na política?
Tati - Primeiro ela tem que acreditar verdadeiramente que pode fazer alguma diferença na política, tem que ter o sentimento de valores de vida e coletividade. Com estes sentimentos estará preparada para enfrentar todas as adversidades inerentes da missão. Sou uma incentivadora da participação feminina, acredito que as mulheres podem fazer a diferença na política.

Blog – Fale sobre corrupção:
Tati - Infelizmente temos que conviver com a pecha de país corrupto. Alguns fatores nos dão este péssimo título: justiça lenta, máquina pública cara, eleitores pouco seletivos na hora de escolher os candidatos, elegendo políticos com históricos de crimes contra a administração pública e muitos com uma vida pregressa bastante duvidosa. Diante de todos estes fatos que tanto nos incomodam, precisamos ficar atentos e entender que não existe outro caminho: o Estado somos nós e os políticos refletem nosso jeito, portanto para que as mudanças realmente aconteçam precisamos mudar e escolher criteriosamente nossos representantes.

 

Rapidinha:

- Comida preferida? Massas

- Música que mais gosta? Popular brasileira, pra citar uma: Maria, Maria de Milton Nascimento

- Livro que lhe marcou a vida? Transformando suor em ouro. Bernardinho

- Que estação do ano mais gosta? Primavera

- Se formou em qual faculdade? Udesc

- Deus, Pátria e Família? Deus nosso guia e onde busco força para seguir em frente. Pátria, responsabilidade pela terra em que vivemos e família a base de tudo.

- Defina amizade? Um irmão que a gente pode escolher.

- Uma frase: “A humildade exprime, uma das raras certezas de que estou certo: a de que ninguém é superior a ninguém.” Paulo Freire

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